OQVestir vai investir R$ 43 milhões em tecnologia e projeta crescer 20% em 2026

O multimarcas de moda online, que completa 17 anos, aposta em IA, curadoria e recompra da base atual. Mais de 100 mil clientes compram na plataforma há mais de dez anos.

Amérik

30/10/2026 07h00 · 30 de outubro de 2026

OQVestir vai investir R$ 43 milhões em tecnologia e projeta crescer 20% em 2026

A OQVestir, multimarcas de moda online que está completando 17 anos, vai colocar R$ 43 milhões em tecnologia e inovação digital em 2026 e projeta crescer 20% sobre o ano anterior. A informação foi publicada pelo E-Commerce Brasil, em reportagem de Amanda Lucio.

Segundo a empresa, o plano de crescimento se apoia mais em fazer o cliente atual comprar de novo do que em buscar cliente novo.

230 marcas e nenhuma loja física

A OQVestir pertence ao Icomm Group, grupo de moda formado em 2017 que também é dono da Shop2gether. A operação é só digital, com mais de 230 marcas no catálogo, mais de 100 produtos novos entrando por dia e pelo menos 16 marcas novas previstas para 2026. Tênis responde por cerca de um quarto do faturamento, e a empresa trata a categoria como motor de crescimento.

O investimento vai para inteligência artificial, automação e uso de dados, o que na prática inclui recomendação de produto, navegação personalizada para cada cliente e processos internos mais enxutos. O atendimento também ganha automação e autoatendimento, com uma pessoa do outro lado quando o cliente pede. Em novembro de 2025, o grupo já havia anunciado um pacote de R$ 90 milhões dividido entre logística, tecnologia e expansão de verticais.

A empresa não abriu faturamento. Os 20% são projeção própria, sem base absoluta divulgada.

100 mil clientes comprando há mais de dez anos

Mais de 300 mil pessoas compram na OQVestir há mais de cinco anos, e mais de 100 mil há mais de dez. São clientes que fizeram a primeira compra por volta de 2016, atravessaram várias mudanças de algoritmo e a chegada da Shein e continuam voltando. Para trazer esse público de volta, a empresa não precisa pagar anúncio, porque ele abre o e-mail, entra no site e compra por confiar na curadoria.

O caminho vai na contramão da saída mais imediata quando o custo de aquisição sobe e o ROAS cai, que é aumentar a verba para buscar gente nova e deixar parada a base que já comprou. Para uma marca com 20 ou 30 mil clientes cadastrados, um disparo genérico por mês, igual para todo mundo, fica bem longe de um trabalho de CRM.

Curadoria como argumento de venda

O CEO do Icomm Group, João Almendra, disse na reportagem que ter muita opção já não basta. "O nosso cliente busca cada vez mais aconselhamento de moda", afirmou. Segundo ele, o caminho é juntar inteligência de dados com sensibilidade humana, porque moda mexe com comportamento, contexto e repertório de cada pessoa.

A cliente de moda raramente chega querendo ver milhares de produtos. Ela tem um casamento no sábado, uma viagem, uma entrevista de emprego ou um verão chegando, e quer que alguém mostre o que fica bom nela para aquela ocasião.

Sem loja física, a OQVestir tenta manter essa proximidade com comunidade e com conteúdo que liga tendência a ocasião de uso, segundo a reportagem.

Só 10 de 35 e-commerces personalizam a vitrine

A reportagem cita um levantamento do Google que avaliou 35 e-commerces brasileiros, dos quais só 10 entregaram resultado personalizado de acordo com o perfil do cliente. A maioria mostra a mesma vitrine para quem entra pela primeira vez e para quem já comprou dez vezes.

Sair do grupo dos 25 não exige R$ 43 milhões. Boa parte das plataformas usadas hoje por marcas de moda já tem recomendação de produto, vitrine por comportamento e segmentação de e-mail e WhatsApp. O que costuma faltar é a configuração, como separar quem comprou vestido de quem comprou alfaiataria, mandar para a cliente de tamanho G as peças que chegaram na grade dela e parar de oferecer cupom de primeira compra a quem já é cliente há três anos.

E-commerce de moda cresceu 35% em 2025

O contexto ajuda a explicar por que a OQVestir acelera agora. A reportagem cita dado da NuvemCommerce segundo o qual o e-commerce de moda cresceu 35% em 2025. Os concorrentes também se mexem: em junho, a Netshoes abriu um hub de streetwear premium com cerca de 50 marcas.

Para as marcas de moda, o movimento tem um lado bom, já que as plataformas multimarcas estão abrindo espaço e precisam de marca nova para manter a vitrine girando (a própria OQVestir planeja trazer pelo menos 16 em 2026). Ao mesmo tempo, a disputa pela cliente online fica mais cara.

A base de clientes antes da verba de mídia

Parte da estratégia da OQVestir cabe em operações bem menores. O ponto de partida é olhar a base antes de aumentar a verba, a partir de duas perguntas: quantos clientes compraram mais de uma vez nos últimos 12 meses e qual o intervalo médio entre a primeira e a segunda compra.

Depois vem a separação entre cliente novo e cliente antigo, com pelo menos dois fluxos diferentes no e-mail e no WhatsApp. Quem já comprou recebe novidade, reposição de grade e acesso antecipado ao lançamento, e quem nunca comprou recebe depoimento e avaliação.

O conteúdo pode seguir a linha do aconselhamento citado por Almendra e mostrar a peça resolvendo uma ocasião, como o look de trabalho de segunda-feira, a roupa da confraternização de fim de ano ou o que levar numa viagem de quatro dias. Dá para produzir esse material com o celular.

A Black Friday vai trazer muita gente nova, e o resultado da data depende do que a marca faz com essa pessoa em dezembro e janeiro. Por isso o fluxo pós-compra precisa estar pronto antes de o pedido chegar à casa da cliente. Para marcas com identidade forte, as plataformas de curadoria também podem servir de vitrine para um público que ainda não as conhece, desde que a entrada venha com um plano claro de qual cliente levar de volta ao canal próprio depois.

Fontes: E-Commerce Brasil, 29/10/2026, Amanda Lucio