Black Friday 2026 deve movimentar R$ 13 bilhões no e-commerce, alta de 20% sobre 2025

Projeção da Confi com o E-commerce Brasil aponta um consumidor que decide a compra cada vez mais cedo, com o 11/11 já consolidado como a segunda maior data do varejo online no país.

Amérik

28/10/2026 08h00 · 28 de outubro de 2026

Black Friday 2026 deve movimentar R$ 13 bilhões no e-commerce, alta de 20% sobre 2025

O e-commerce brasileiro deve transacionar R$ 13 bilhões na Black Friday de 2026, marcada para 27 de novembro, segundo projeção da Confi em parceria com o E-commerce Brasil. O valor fica cerca de 20% acima do registrado em 2025, quando os quatro dias do evento passaram de R$ 10 bilhões pela primeira vez.

Para dimensionar o peso da data, novembro de 2025 faturou R$ 47 bilhões no comércio eletrônico do país, e quase um quarto desse total saiu nos quatro dias da Black Friday.

O 11/11 antecipou a decisão de compra

O consumidor deixou de concentrar as compras na última sexta-feira de novembro. A data dupla 11/11, que há três anos era associada a marketplaces chineses, virou a segunda maior data do e-commerce nacional e deve passar de R$ 3 bilhões em um único dia. As compras se espalham pelo mês inteiro, em mais categorias ao mesmo tempo e com tíquete unitário menor.

Quem vai comprar roupa na Black Friday, portanto, já começou a escolher, salvando peças e guardando print de carrinho. A marca que só aparece para esse consumidor no dia 27 entra numa lista de desejos já montada e passa a disputar apenas preço, comparação em que a marca pequena costuma sair perdendo.

O cenário de consumo também pesa. O varejo acumula mais de 15 meses seguidos de queda real nas vendas, segundo o ICVA, índice da Cielo, com famílias endividadas, juro alto e um outubro afetado pela eleição. Vai haver dinheiro circulando em novembro, só que a moda vai disputar o mesmo limite do cartão de crédito com eletrodomésticos, celulares e viagens.

Produção com facção e faixas de desconto

Para marcas de moda, o primeiro ponto do planejamento é o estoque. Pedido feito para facção em novembro tende a chegar em dezembro, depois do evento, o que deixa a data dependente do estoque já encomendado.

O segundo é a margem, calculada antes de qualquer anúncio de desconto: quanto cada peça aguenta de abatimento sem consumir o lucro. Marcas mais maduras costumam entrar na data com três faixas de preço, combinando peças isca com desconto agressivo, a coleção principal com desconto honesto e os lançamentos a preço cheio, voltados a quem quer a novidade e aceita pagar por ela.

Um calendário para o mês inteiro

Com a decisão espalhada por novembro, o planejamento passa a cobrir o mês todo:

  1. Outubro: aquecimento da base de clientes.
  2. 11/11: oferta real para a data dupla.
  3. Lista VIP no WhatsApp: acesso antecipado para quem já comprou da marca.
  4. Semana final: fechamento do mês com a Black Friday.

O cliente que compra no 11/11 e é bem atendido tende a voltar no dia 27 sem que a marca precise pagar de novo para trazê-lo. Por isso o pós-venda entra na mesma conta. Na correria de novembro, boa parte das lojas reduz o atendimento ao despacho de pacotes, e quem mantém a troca simples e o pedido dentro do prazo já se destaca, ainda mais quando a cliente recebe, depois da entrega, uma mensagem escrita por uma pessoa.

A metade do dobro e outros erros comuns na data

  • Metade do dobro. É a prática de subir o preço em outubro para simular desconto em novembro. Extensões de navegador hoje mostram o histórico de preço, e o consumidor lembra. A venda pode até sair, mas a confiança na marca fica comprometida.
  • Vender além da capacidade de entrega. O pico de vendas vira pico de reclamação em dezembro, justamente quando o cliente decidiria se volta para comprar presente. Uma operação que despacha 30 pedidos por dia com folga deveria planejar a oferta para 60, e não para 300, sob o risco de a reclamação no Reclame Aqui sair mais cara que a venda.
  • Silêncio em dezembro. A marca faz a melhor Black Friday da sua história e deixa de falar com a base nova. O fluxo pós-compra pode ficar pronto antes do evento, com mensagem de confirmação escrita por uma pessoa, pedido de avaliação e oferta de recompra em janeiro.

Fontes: Mercado&Consumo — O que devemos esperar da Black Friday em 2026 (Fernando Moulin)