Frete grátis supera desconto como fator de compra em três pesquisas antes do 11.11

Levantamentos do Mercado Pago, da Serasa Experian e da Shopee colocam o frete no topo da decisão de compra de novembro. Na Shopee, moda feminina caiu quatro pontos na lista de intenção para o 11.11 e a Black Friday.

Amérik

31/10/2026 11h00 · 31 de outubro de 2026

Frete grátis supera desconto como fator de compra em três pesquisas antes do 11.11

Três pesquisas publicadas entre 28 e 30 de outubro colocam o frete grátis à frente do desconto na decisão de compra de novembro. No Panorama de Consumo 2026 do Mercado Pago, o frete grátis é o principal fator de compra para 44% dos entrevistados, contra 40% do desconto no preço. Na pesquisa da Shopee, foi o benefício mais esperado por 79%. No Raio-X da Black Friday da Serasa Experian, o frete alto lidera os motivos de desistência, com 30%.

Na quarta-feira (28), a Exame publicou o Panorama de Consumo 2026 do Mercado Pago, feito com 3.345 usuários do Mercado Livre e do Mercado Pago. Na quinta (29), o Mercado&Consumo trouxe o Raio-X da Black Friday da Serasa Experian, e na sexta (30) o mesmo veículo publicou a pesquisa da Shopee para o 11.11 e a Black Friday. Os públicos e os métodos são diferentes.

O resultado inverte a ordem em que muitas marcas de moda planejam a data, com a porcentagem de desconto discutida primeiro e o frete deixado para o fim, como detalhe de operação.

Shopee ouviu 790 usuários pelo aplicativo

A Shopee entrevistou 790 usuários pelo próprio aplicativo, entre 23 de setembro e 5 de outubro. O frete grátis foi o benefício mais esperado pelo segundo ano seguido, citado por 79%, enquanto produtos com grande desconto ficaram com 65%.

A Serasa analisou o lado de quem desiste. Depois do frete alto (30%), aparecem o preço final acima do esperado (25%) e a oferta mais barata em outro lugar (24%).

Há uma ressalva sobre esses números. Pesquisa de marketplace feita com usuário de marketplace tende a puxar para o frete, porque foi isso que essas plataformas passaram anos ensinando o consumidor a esperar. Ainda assim, a Serasa, que não vende roupa nem entrega pacote, também encontrou o frete no topo da lista de abandono. E a consumidora que compra numa loja da Nuvemshop é a mesma que abre a Shopee e o Mercado Livre na mesma noite, com as mesmas expectativas.

Moda feminina perdeu quatro pontos na Shopee

Quando perguntados sobre o que pretendem comprar no 11.11 e na Black Friday, os usuários da Shopee colocaram casa em primeiro, com 47%, dois pontos acima do ano passado. Moda feminina veio em segundo, com 41%, quatro pontos abaixo de 2025. Eletrodomésticos subiram quatro pontos e chegaram a 32%, e beleza ficou com 30%.

Moda continua no alto da lista, mas o orçamento de novembro para roupa passa a disputar espaço com a air fryer e o jogo de cama. O gasto médio que os entrevistados dizem pretender fazer subiu para R$ 691 no 11.11 (25% acima do ano passado) e R$ 764 na Black Friday (alta de 20%). A consumidora chega com mais dinheiro reservado, e uma parcela menor diz que vai gastar com roupa. Para disputar essa venda, o frete é o ponto que aparece no topo das três pesquisas.

45% esperam receber em até três dias

Outro dado da Shopee: 45% esperam receber o pedido em até três dias. O padrão foi construído pelos marketplaces, com centros de distribuição espalhados pelo país. Para uma marca que despacha de um galpão no Brás ou de uma sala comercial em Goiânia, entregar em três dias para uma cliente de Fortaleza é difícil, às vezes impossível.

Prometer um prazo que a operação não cumpre só empurra o problema para dezembro, quando chegam as reclamações. A saída mais segura é informar o prazo real na página de produto, antes do checkout, com a calculadora de CEP visível. A cliente aceita esperar seis dias se souber disso antes de pagar, e quem descobre o prazo na tela do frete, depois de escolher tamanho e cor, tem muito mais chance de fechar a aba.

64% de quem parcela prefere até seis vezes

As pesquisas também mostram como essa consumidora pretende pagar. Na Shopee, 74% vão parcelar, e o Pix é a forma de pagamento mais citada (60%), seguido do cartão de crédito (43%). No Mercado Pago, o cartão é o principal meio para 46%, e o Pix, contando o Pix parcelado, chega a 42%, treze pontos acima do ano anterior. Metade pretende parcelar, e dessas pessoas 64% preferem até seis vezes. Na Serasa, mais de 66% de quem pretende comprar quer parcelar no cartão, com pouca diferença entre as faixas de renda.

O Mercado Livre foi mais longe. Desde 19 de outubro, o cartão do Mercado Pago permite parcelar em até 21 vezes sem juros, e a partir do 11.11 em até 24 vezes, junto com mais de R$ 100 milhões em cupons. A Shopee anunciou R$ 48 milhões em cupons para o 11.11 e a Black Friday.

Uma marca de moda pequena não tem como acompanhar 24 parcelas, e os dados indicam que nem precisa. Como a maioria de quem parcela prefere até seis vezes, a disputa está em deixar o 6x sem juros visível na vitrine e no anúncio e em oferecer um desconto no Pix que caiba na margem. Parcelamento informado só no rodapé da página de produto não cumpre esse papel.

A conta do frete antes da conta do desconto

Para definir o valor mínimo do frete grátis, uma referência é o tíquete médio dos últimos 90 dias, com o mínimo para frete grátis um pouco acima dele, para puxar a segunda peça. Outra possibilidade é tirar cinco pontos do desconto para bancar o frete e comparar a conversão com a do ano passado.

Outro ajuste é deixar o frete grátis visível desde a primeira tela, com faixa no topo do site informando o valor mínimo, calculadora de CEP na página de produto e o mesmo recado no criativo do anúncio.

O prazo real pode ficar escrito na página, por região quando possível, com a expedição combinada para despachar os pedidos do 11.11 e da Black Friday no mesmo dia ou no dia seguinte.

O 6x sem juros e o desconto no Pix podem aparecer em destaque na foto da vitrine, no texto do anúncio e no WhatsApp, para que a cliente não descubra essas condições só no checkout.

Falta ainda um plano para a cliente nova a partir de dezembro. A Serasa aponta que 38% comprariam de novo de uma marca que conheceram na Black Friday, desde que a experiência tenha sido boa. Com entrega no prazo e troca fácil, a chance de essa cliente voltar em março sem cupom fica bem maior.

A tela do frete ao lado da Shopee

A porcentagem do desconto continua importando, e nenhuma das pesquisas sugere entrar em novembro com preço cheio. O risco que os números apontam está em passar as semanas até o 11.11 discutindo entre 35% e 40% enquanto a tela do frete segue igual à do ano passado.

Para medir a diferença, basta abrir o site da marca no celular, escolher uma peça, colocar o CEP de uma cidade a dois mil quilômetros do estoque e anotar o valor e o prazo exibidos. Depois, repetir o processo com uma peça parecida na Shopee e no Mercado Livre.

Fontes: Mercado&Consumo, 30/10/2026, "Shopee: 86% dos consumidores pretendem comprar no 11.11 ou na Black Friday" · Exame, 28/10/2026, Clara Assunção, "Mercado Livre terá 24x sem juros e mais de R$ 100 mi em cupons na Black Friday 2026" · Mercado&Consumo, 29/10/2026, "Parcelamento na Black Friday atrai 66% dos consumidores de todas as rendas" Serasa Experian