Fluxo no varejo cai 55,6% no domingo do 1º turno, e Selic de 14,9% deve pesar mais no Natal

Levantamento da Seed Digital mostra queda acima de 64% no varejo de rua e de 65% no Nordeste. Setembro já havia fechado com fluxo menor, e o crédito caro tende a seguir pressionando as vendas de moda.

Amérik

28/10/2026 08h00 · 28 de outubro de 2026

Fluxo no varejo cai 55,6% no domingo do 1º turno, e Selic de 14,9% deve pesar mais no Natal

O fluxo de consumidores no varejo brasileiro caiu 55,6% no domingo 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições, na comparação com o mesmo domingo do ano passado. O dado é de levantamento da Seed Digital. No varejo de rua, a queda passou de 64%, e no Nordeste, de 65%. Com o país votando, lojas físicas e online sentiram o efeito.

O domingo de votação veio em cima de um mês que já tinha sido fraco. Setembro fechou com fluxo 2,9% menor, a Selic está em 14,9% ao ano e o crédito ao consumidor ficou proibitivo. O parcelamento, que sustenta boa parte das vendas de moda, encareceu para toda a cadeia.

Em 2022, o fluxo voltou na semana seguinte

O efeito da eleição tende a passar. Em 2022, a queda no domingo de votação foi quase idêntica, de 56,3%, e o fluxo voltou ao normal na semana seguinte. Com o cenário político definido, parte do consumo que ficou parado pode até retornar. Grandes varejistas já falam em um 2027 promissor, e analistas projetam alta apenas moderada do dólar.

Juro alto deve durar meses

A Selic é o problema mais longo. Com a taxa em 14,9%, capital de giro e antecipação de recebíveis ficam caros, e a consumidora chega ao fim do ano com o cartão comprometido. Como esse quadro deve se manter por meses, o planejamento de Natal das marcas de moda precisa partir de um cenário de juro alto.

Prazo com fornecedor funciona como crédito

Com dinheiro custando quase 15% ao ano mais spread, parcelar a compra de estoque com o fornecedor sai mais barato que qualquer linha bancária. Negociar prazo é a medida mais direta para proteger o caixa, e a negociação fica mais forte quando a marca tem outras opções para comparar, já que quem depende de um único fornecedor fica na mão dele.

Reativar a base sai mais barato que anúncio

Trazer cliente novo por anúncio neste momento significa pagar leilão caro para convencer consumidores endividados, enquanto a base que já comprou sai quase de graça. Uma ação possível é separar quem comprou nos últimos 12 meses e não voltou e enviar a essas pessoas uma mensagem pelo WhatsApp, escrita por alguém da equipe, com uma condição real de retorno.

Cortar custo sem sumir do feed é outro cuidado. O erro mais comum em mês fraco é interromper a presença nas redes para economizar. Na Black Friday, a marca que esfriou paga mais caro no leilão de anúncios para reaparecer. Se o corte for necessário, a lista começa por ferramenta parada, frete mal negociado e produção de peça que não gira, com a presença no feed por último.

A conta da margem antes da Black Friday

Mês apertado emenda em mês de desconto. Sem saber exatamente quanto cada peça aguenta de abatimento, a marca corre o risco de fechar novembro com faturamento alto e lucro zero. A conta envolve custo por peça, margem real depois de taxas e impostos e o resultado do mês, e o ideal é que esteja pronta antes de a campanha de Black Friday ser definida, para que a decisão sobre novembro saia dos números.

Fontes: Mercado&Consumo — Fluxo do varejo cai 55,6% no primeiro turno das eleições · NSC Total — Eleições 2026 e Selic a 14,9%: o impacto no dólar e nos preços