Itaú lança Itaú Pay, pagamento aprovado no app do banco que tira o cartão do checkout

Por enquanto só a Decolar aceita o novo meio de pagamento. Os dados de mercado citados no lançamento apontam aprovação média de 80% a 85% no e-commerce brasileiro.

Amérik

01/11/2026 07h00 · 1 de novembro de 2026

Itaú lança Itaú Pay, pagamento aprovado no app do banco que tira o cartão do checkout

O Itaú lançou o Itaú Pay, meio de pagamento para e-commerce em que a cliente não digita o cartão no site da loja e confirma a compra no aplicativo do banco. A novidade foi publicada pelo E-Commerce Brasil no sábado, dia 31. Por enquanto só a Decolar aceita, então nenhuma loja de moda terá o botão ligado antes da Black Friday, no dia 27.

O lançamento, ainda assim, mira o ponto em que muitas marcas de moda perdem dinheiro sem perceber, que é a última tela da compra. A marca pagou o clique, a cliente escolheu o vestido, colocou no carrinho, preencheu o endereço, e a venda morre num "transação não autorizada" ou num Pix gerado que ninguém pagou.

Como funciona o Itaú Pay

A cliente escolhe o Itaú Pay no checkout, é levada para o app do banco e aprova a compra ali, com saldo em conta ou crédito. Quem for elegível ganha condições extras: parcelamento mais longo, limite adicional e a opção de pagar com pontos. Essas condições se somam às que a loja já oferece.

O banco diz que, ao juntar os dados da cliente, a oferta de crédito, a autenticação e o antifraude no mesmo lugar, consegue reduzir as recusas por suspeita de fraude, por falta de limite e por checkout comprido demais. As estimativas são do próprio Itaú: taxa de aprovação até 10 pontos percentuais acima da média, ticket médio até 50% maior e checkout até cinco vezes mais rápido. Como são números de quem vende o produto, ainda dependem de dados de lojistas usando o serviço para serem confirmados.

Faltam informações importantes. A reportagem não traz taxa, não diz quais critérios definem a cliente elegível e não dá prazo para outras lojas entrarem. Começar pelo turismo tem lógica, já que passagem tem ticket alto e vive de parcela.

Aprovação média fica entre 80% e 85%

Segundo os dados de mercado citados no texto, a aprovação média do e-commerce brasileiro fica entre 80% e 85%, o que significa que, de cada dez tentativas de pagamento, uma e meia a duas não passam. Depois de uma recusa, 19% dos consumidores trocam de loja e 16% desistem da compra.

A reportagem faz uma conta que dá o tamanho do problema: numa operação com 250 mil pedidos por mês e ticket médio de R$ 120, cada ponto percentual de aprovação vale cerca de R$ 300 mil por mês. Em escala menor, a proporção se mantém. Para uma marca que fatura R$ 200 mil num mês bom, cada ponto de recusa recuperado é venda que já tinha custado anúncio para chegar até ali.

Pix e parcelamento pesam na escolha da loja

Na véspera do lançamento do Itaú, saiu uma pesquisa da W3haus, da Gauge e da Ecglobal, empresas do grupo Stefanini Marketing, também publicada pelo E-Commerce Brasil. Segundo o levantamento, 86% dos entrevistados pretendem comprar na Black Friday e 56% começam a pesquisar mais de 30 dias antes.

O desconto no Pix motiva 36% dos entrevistados, e o parcelamento sem juros, 34%. Não encontrar a forma de pagamento preferida aparece como o quinto principal motivo de abandono de carrinho. Sobre o Pix parcelado, 36% dizem que conhecem e já usaram. O estudo projeta R$ 14,5 bilhões em vendas na Black Friday, alta de 8,4%, com 18,3 milhões de pedidos.

No varejo de moda, esse comportamento é conhecido. A cliente compara a mesma calça em três lojas, vê qual dá 5% no Pix e qual parcela em seis vezes, e fecha onde a conta pesa menos no mês. Uma loja sem desconto no Pix e com cartão travando perde essa venda para a concorrente sem aviso.

O relatório da Appmax sobre novembro de 2025

A Appmax, empresa de pagamentos, publicou um relatório com mais de 1,7 milhão de pedidos processados em novembro de 2025, também divulgado no E-Commerce Brasil (em formato de publieditorial). Parte dos números conversa direto com quem vende roupa:

  • Moda e acessórios cresceu menos que outras categorias em relação a um dia comum, mas teve o maior volume absoluto de pedidos.
  • Cartão de crédito ficou com 65,1% do volume e o Pix com 34,3%. Juntos passam de 99%, e o boleto praticamente sumiu.
  • A média de parcelas caiu de 3,82 para 3,65, e os pedidos em 12 vezes caíram de 7,2% para 3,5%.
  • No Pix, 80,8% das cobranças geradas foram pagas na Black Friday, contra 75,2% nos dias comuns de novembro. A mediana entre gerar o código e pagar foi de 69 segundos.
  • Com a ferramenta de recuperação da própria Appmax, a volta de cartões recusados subiu de 7% para 14,2%.
  • 90,5% de quem comprou em novembro era cliente nova, e a recompra em 90 dias foi de 3,9%, abaixo dos 5% de quem comprou em outubro.

Nessa base, a aprovação de cartão na sexta-feira da Black Friday ficou em 97,27%, bem acima da média de mercado citada pelo Itaú. Os dois números medem coisas diferentes, com lojas e meios de pagamento diferentes, e a distância entre eles indica que a aprovação depende muito de quem processa o pagamento e de como o checkout está montado, dois pontos que a loja consegue mudar.

No Pix, um em cada cinco códigos gerados na Black Friday não foi pago. Em dia comum, a proporção foi de um em cada quatro.

Ajustes que cabem até o dia 27

Perto da data, mexer na estrutura da loja é arriscado. Ajuste fino, porém, ainda dá tempo de fazer.

Levantar o número de recusa. Na Nuvemshop, na Shopify ou no gateway em uso, o relatório de outubro mostra quantos pedidos ficaram como "recusado" ou "aguardando pagamento".

Ligar a recuperação de Pix e de cartão. Mensagem automática no WhatsApp ou por e-mail com um link de pagamento novo, disparada poucos minutos depois da tentativa.

Esticar a validade do código Pix. Código que expira em 10 minutos pode ser curto demais para quem demora a abrir o app do banco, e a mediana de 69 segundos inclui clientes que levam bem mais tempo.

Mostrar a condição de pagamento antes do checkout. Desconto no Pix e número de parcelas na página do produto e no anúncio, porque é por isso que a cliente decide.

Consultar o gateway sobre Pix parcelado e carteiras digitais. Se a opção já estiver disponível, o teste rende mais agora, com tráfego normal, do que no dia 27.

Preparar o pedido de dezembro. Com 90% de cliente nova e recompra baixa, a Black Friday rende muito mais quando a marca traz essa cliente de volta, e um cupom de segunda compra dentro do pacote ajuda nisso.

A taxa do Itaú Pay ninguém sabe ainda

Banco no meio do checkout pode ajudar a aprovação, mas o Itaú ainda não informou quanto vai cobrar, e meio de pagamento que dá parcela longa e limite extra costuma cobrar por isso de alguém. Quando o serviço chegar às marcas de moda, a conta a fazer é comparar essa taxa com a do cartão comum e com a da antecipação que a loja já paga.

Fontes: E-Commerce Brasil, 31/10/2026 Itaú Pay · E-Commerce Brasil, 30/10/2026 pesquisa W3haus/Gauge/Ecglobal, Stefanini Marketing · E-Commerce Brasil, 30/10/2026 relatório Appmax, publieditorial