Instagram testa vídeos horizontais de até 90 minutos, e o teste começou pelo Brasil

O Features permite ligar até oito Reels a um vídeo longo e está em teste com criadores selecionados no Brasil e, desde 26 de outubro, nos Estados Unidos.

Amérik

31/10/2026 17h00 · 31 de outubro de 2026

Instagram testa vídeos horizontais de até 90 minutos, e o teste começou pelo Brasil

O Instagram está testando o Features, um formato de vídeo horizontal de até 90 minutos, com um grupo pequeno de criadores brasileiros. Segundo a Social Media Today, o teste começou pelo Brasil e só em 26 de outubro chegou a criadores selecionados dos Estados Unidos. Para marcas de moda, o lançamento mexe com a produção de conteúdo e com o tráfego dentro do aplicativo, embora o formato ainda não esteja aberto a perfis comerciais.

Até oito Reels levando ao vídeo longo

O Features foi apresentado por Adam Mosseri, chefe do Instagram, e Tessa Lyons, vice-presidente de produto, num vídeo publicado no próprio app. De acordo com a Fast Company Brasil, que publicou a reportagem na sexta-feira (30), o formato tem um fluxo de publicação separado, com título e descrição, e o criador pode ligar até oito Reels a um mesmo vídeo longo. O Reels funciona como porta de entrada, e quem vê o corte curto toca e vai para o vídeo inteiro sem sair do app. Os vídeos também aparecem no Explorar e entram no Instagram para TV, que já roda em televisores.

Até agora, o limite do vídeo vertical no Reels era de 20 minutos. No Features cabe um episódio inteiro de podcast, por exemplo. A referência é declarada: o YouTube fez mais de US$ 60 bilhões com anúncios e assinaturas em 2025, pelos números da Alphabet citados pela Fast Company, e Mosseri quer uma fatia desse tempo de tela. Ele mesmo fez a comparação, com Reels e posts no papel de lanche e o Features no de refeição.

Acesso restrito e sem divisão de receita

Segundo o Diário do Comércio, participam do teste criadores que fecharam acordo individual com a empresa, sem exigência de exclusividade. Não há botão liberado para todos os perfis comerciais, e Mosseri falou em expansão gradual nos próximos meses.

O Instagram também não tem programa de divisão de receita com criadores, como o YouTube tem há anos. A empresa diz que estuda modelos de pagamento e, enquanto isso, o patrocínio dentro do vídeo continua permitido.

Patrocínio deve bancar os primeiros vídeos

Se o criador vai produzir vídeos de 40 ou 60 minutos e a plataforma não paga por isso, a conta tende a ficar com o patrocínio de marca. Com os podcasts no YouTube aconteceu o mesmo, quando criadores com audiência e sem receita fecharam cotas com as primeiras marcas dispostas a testar com pouco dinheiro. No início de um formato, a inserção ainda não tem preço de mercado, sai barata e o criador está aberto a negociar. Essa janela costuma fechar rápido, em geral quando as grandes agências descobrem o formato e montam tabela.

Espaço para mostrar caimento e modelagem

O segundo efeito está no conteúdo da própria marca. Roupa vende muito pelo caimento e pelo jeito que a peça se mexe no corpo, algo que um Reels de 15 segundos mostra só por cima. Um vídeo longo comporta o provador inteiro da coleção, peça por peça, com a modelagem explicada e três corpos diferentes vestindo o mesmo tamanho. Também cabem o bastidor da confecção e a live de lançamento editada, sem os dez minutos de "gente, chegou mais gente aí?".

Dificilmente alguém assiste a 90 minutos de provador, mas um vídeo de 12 ou 15 minutos bem cortado tem chance de ser visto até o fim pela cliente que já gosta da marca.

Funil completo dentro do app

Para quem cuida de mídia paga, a mecânica dos oito Reels ligados a um vídeo longo merece atenção, porque monta um funil inteiro dentro do aplicativo. Quem chega pelo corte curto e fica dez minutos vendo uma coleção é público quente de verdade, do tipo que hoje custa caro encontrar com anúncio.

A Meta ainda não informou se vai permitir criar público personalizado por tempo assistido no Features, como já faz com vídeo comum, nem se haverá anúncios rodando dentro do formato. Por enquanto, não há base para montar plano de mídia contando com esses recursos.

A live de Black Friday pode ser gravada na horizontal

A Black Friday cai em 27 de novembro, e o calendário não favorece tirar energia da operação de novembro para um formato que ainda está em teste. O que dá para fazer cabe dentro da produção já prevista:

  • Gravar a sessão inteira. Na próxima sessão de fotos ou na live de Black Friday, uma câmera na horizontal pode registrar tudo. Os cortes em Reels seguem como sempre, e o material longo fica guardado para quando o Features abrir.
  • Mapear criadores do nicho que já publicam vídeo longo. Moda, beleza, podcast de mulher empreendedora, maternidade ou o que tiver relação com a cliente da marca. Quem está no teste provavelmente procura patrocinador.
  • Criar um formato que se repete. O provador da semana, a peça explicada pela modelista, a conversa com uma cliente real. Vídeo longo funciona melhor como série, porque a cliente se acostuma a voltar toda semana.
  • Retomar o canal do YouTube. Muitas marcas têm canal parado desde 2021. Vídeo horizontal serve nas duas plataformas, e o material guardado para o Instagram pode ir para o YouTube de imediato.

O IGTV também foi vídeo longo

O Instagram já apostou em vídeo longo antes, com o IGTV, lançado em 2018 e aposentado poucos anos depois. Por isso a recomendação mais prudente é gravar junto com o que a marca já produz, sem abrir uma estrutura nova só para o Features.

O vídeo longo também não deve substituir o Reels na venda direta. A compra por impulso continua acontecendo no corte curto, com preço na tela e link na bio, e o formato longo atende a cliente que já conhece a marca e quer ver mais antes de comprar de novo. Se o Features abrir para mais perfis em dezembro, a live de Black Friday gravada na horizontal já estará pronta. Se demorar, o material vira vídeo para o YouTube e uma pilha de cortes para janeiro, mês em que muitas marcas param de postar.

Fontes: Fast Company Brasil, 30/10/2026 · Social Media Today, 26/10/2026 · Diário do Comércio, 28/10/2026